ORIENTAÇÕES PARA CIRURGIA ENDOSCÓPICA FUNCIONAL DO NARIZ

PRINCÍPIOS E INDICAÇÕES:

 A função do nariz é conduzir o ar, purificá-lo, aquecê-lo, umidificá-lo, servir de câmara de ressonância para o som, possibilitar o olfato e iniciar o reflexo nasossinusal.

No caso de obstrução nasal ("nariz entupido"), aumenta muito a perda de energia com a respiração, com prejuízo evidente para a saúde e para as funções acima citadas. Esta obstrução nasal pode ter como causa um desvio do septo nasal e/ou aumento (hipertrofia) dos cornetos nasais, dentre outras, e nos casos em que não há melhora com o tratamento clínico, poderá estar indicada a correção cirúrgica.

Sinusite é a inflamação e/ou infecção existente em cavidades ósseas (seios paranasais) que existem em torno das cavidades nasais (maxilares, etmoidais, frontais e esfenoidais). Quando esta inflamação e/ou infecção persistem, e resistem aos tratamentos clínicos, é considerada crônica, e pode-se indicar o tratamento cirúrgico. Pólipo nasal é uma massa, gelatinosa ou fibrosa, que se desenvolve na cavidade nasal ou nos seios paranasais, podendo ser único ou múltiplo.

A SEPTOPLASTIA é indicada quando o desvio septal causa obstrução importante, alterações sinusais (sinusites) e dor de cabeça (cefaléia). Eventualmente podem apresentar tumores, perfurações ou ulcerações no septo nasal que exigem procedimento de BIÓPSIA para auxílio no diagnóstico. Freqüentemente ocorre também hipertrofia dos cornetos ou conchas nasais e, nesses casos, é também indicada a redução cirúrgica do volume dos mesmos, seguida por cauterização, denominada TURBINECTOMIA ou TURBINOPLASTIA, que pode ser uni ou bilateral conforme a necessidade.

A hipertrofia isolada dos cornetos nasais também é comum em casos de rinite alérgica, vasomotora e em cornetos bolhosos e, nessas ocasiões se opera somente os cornetos ou conchas nasais (turbinectomia ou turbinoplastia).

A cirurgia funcional do nariz realizada nos seios paranasais da face denominada SINUSOTOMIA ou SINUSECTOMIA pode(m) ser(em) realizada(s) em combinação com outros procedimentos e está(ão) indicada(s) em casos de doenças inflamatórias (p.ex.: sinusite crônica), tumores do nariz e/ou seios paranasais, na eminência e/ou risco de complicações orbitárias e/ou intracranianas, entre outras.

Quando o desvio septal surge associado a deformidade de dorso ou ponta nasal, pode ser necessário corrigir simultaneamente a aparência externa para melhorar o funcionamento do nariz, constituindo-se a cirurgia denominada RINOSSEPTOPLASTIA.

 

A(S) CIRURGIA(S):

 A cirurgia é realizada com anestesia geral ou com anestesia local e os pacientes podem ficar internados por 1 ou 2 dias, dependendo da evolução pós-operatória dos mesmos. A região abordada é extremamente complexa, com artérias e veias que irrigam as fossas nasais e seios paranasais. A cirurgia pode ser realizada por via transnasal microscópica e/ou endoscópica (por dentro do nariz) ou por via aberta (com incisões na face). Além disso, as estruturas a serem operadas no nariz situam-se bem próxima às órbitas (cavidade dos olhos), às meninges e a outras estruturas intra-cranianas e desta forma desta exposta a inúmeras variações anatômicas. Trata-se de uma cirurgia exploradora, ou seja, é impossível se prever exatamente quais alterações serão encontradas e, portanto, muitas decisões podem e devem ser tomadas durante a cirurgia, sem que seja possível solicitar o consentimento específico para proceder aos tratamentos necessários. Em alguns casos, eventualmente, os pacientes necessitam de tampão para evitar sangramentos após a cirurgia, sendo que o mesmo é colocado por dentro do nariz e permanece por 1 a 3 dias, quando é retirado. O acompanhamento pós-operatório é fundamental para o sucesso da(s) cirurgia(s) e a inobservância destas orientações pode acarretar insucesso(s) e/ou complicação(ões). Durante o acompanhamento pós-operatório o(a) paciente ficará impedido de realizar esforços e atividades físicas, bem como viagens aéreas por um período variável de 2 a 4 semanas, ou mesmo mais.

 

RISCOS E COMPLICAÇÕES:

 1. Febre e Dor:  é comum no pós-operatório e, geralmente, de fácil controle.

2. Vômitos: podem ocorrer algumas vezes, no dia da cirurgia ou após, sendo constituídos de sangue coagulado (escuro,"pisado").

3. Hemorragia (sangramento): nas primeiras 12 horas e na retirada do tampão (após 24 a 72 horas) é comum haver um sangramento (apesar do tamponamento), possivelmente originado do corneto nasal parcialmente ressecado e, em geral, cede espontaneamente. Sangramentos persistentes e volumosos são raros, mas podem exigir novo tamponamento, ligadura de vasos (cirurgicamente) e até transfusão sanguínea. A morte por hemorragia é extremamente rara.

4. Infecção, abscesso e hematoma septal: raramente ocorre, devendo ser controlada com curativos, drenagem e antibióticos. Em algumas ocasiões pode levar a reabsorção da cartilagem septal e até queda do dorso nasal.

5. Perfuração septal: é rara, mas pode ocorrer necessitando de tratamento clínico ou de reparo cirúrgico.

6. Sinéquias: são aderências que podem ocorrer entre as paredes lateral e medial do nariz. São desfeitas com curativos e, às vezes, exigem outra intervenção cirúrgica.

7. Recidiva dos desvios: em técnicas muito conservadoras, principalmente em crianças, a cartilagem poderá voltar parcialmente à posição ou forma anterior, por vezes necessitando reintervenção. Assim, podem ser necessários retoques cirúrgicos em casos de pacientes operados de septo, do dorso e/ou ponta nasal.

8. Recidiva da hipertrofia dos cornetos: em casos de rinopatia alérgica intensa, a mucosa remanescente poderá sofrer hipertrofia, algumas vezes necessitando nova intervenção cirúrgica.

9. Sinusite: é uma complicação pós-operatória possível (secundária a tamponamento nasal), cedendo espontaneamente ou com o uso de antibióticos. Em alguns casos, podem necessitar de tratamento cirúrgico.

10. Hematoma de face, lábio superior e palato: pode ocorrer em cirurgias nasais mais extensas e, geralmente, cedem em alguns dias.

11. Fístula liquórica: é relativamente rara, mas pode ocorrer, podendo ser corrigida no mesmo ato operatório ou necessitando de nova intervenção cirúrgica futura para o seu fechamento.

12. Meningite: é rara , mas pode ocorrer se as meninges forem atingidas ou expostas.

13. Abscesso cerebral, extra-dural e trombose dos seios cavernosos: são raros, mas podem ocorrer, sendo extremamente graves, com alta mortalidade.

14. Osteomielite: a osteomielite dos ossos em torno das cavidades nasais, com o advento da antibioticoterapia, tornou-se mais rara. Se ocorrer, pode necessitar de tratamento cirúrgico.

15. Complicações orbitárias: são raras mas devido às variações anatômicas naturais ou resultantes da polipose nasal e/ou sinusite podem ocorrer lesões na fina lâmina óssea (lâmina papirácea) que separa as fossas nasais (e os seios paranasais) da cavidade orbitária, levando à celulite orbitária, abscesso orbitário e à paresia ou paralisia de músculos do olho, neurite, cegueira, meningite e troboflebite dos seios cavernosos.

16. Olfato: geralmente o olfato fica reduzido na presença da polipose nasal e, após a cirurgia, na maioria das vezes, melhora. Em alguns casos, pode haver piora ou perda total.

17. Outras recidivas: alguns tipos de polipose nasal recidivam em meses ou anos. Outros processos nasais e sinusais recidivam mais raramente. As recidivas podem exigir tratamento clínico prolongado ou nova intervenção cirúrgica.

18. Re-operações: em algumas situações pode haver necessidade de novos procedimentos cirúrgicos para tratamento e controle de doenças nasosssinusais. Nestas eventualidades os riscos de complicações e insucesso também são maiores.

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